
12/01/2005 03:27
Xamanismo
O xamanismo é um tema ou tópico que apaixona, um fenômeno no qual todos nós gostaríamos de conhecer como se fosse uma ciência exata, mas isto não é possível, os xamãs verdadeiros afirmam que eles somente são os atores neste vasto e insondável infinito. A maioria de nós, que não tem a oportunidade de conhecer um xamã que manipula essas técnicas e a graça de aprender com eles, nos conformamos em conhecer os conceitos e idéias que nos foram passadas em livros, dentro dessa perspectiva alcançam também certas experiências por conta própria, mas que não têm uma base ou a ajuda necessária para realizar essas técnicas, não podemos executa-las ou aprofundar nesses estudos. Para clarificar isso, pretendemos com esta página não revelar uma verdade absoluta, mas compartilhar ensinos ancestrais e acima de tudo, encorajar as pessoas interessadas pelo xamanismo a terem suas próprias experiências. Longe de apresentar uma idéia romântica, visamos olhar a praticidade e a veracidade acima de tudo.
É uma ARTE tão antiga como a vida. No Período Paleolítico, quando os homens ainda moravam em cavernas cercadas de feras, eles viviam com medo de tudo. Mas, ao observarem o ciclo da natureza e suas manifestações, refletiram sobre sua relação com o Universo, e, sem saber, estabeleceram uma ponte com o macrocosmo, traçando um fio que nunca mais iria se romper. Durante algum tempo as práticas xamânicas encontraram-se adormecidas, mas voltaram a despertar a atenção dos homens modernos, independentes de seu estágio cultural ou do fato de viverem na selva de pedra urbana cercados de racionalidade, coisa que não existia quando os nossos antepassados se reuniram pela primeira vez ao redor de uma fogueira. Capazes de elevar a consciência para estados de êxtase desconhecidos para o homem comum e de ser relacionar com outras realidades, os xamãs são seres privilegiados por viverem entre o mundo material e o Reino invisível dos espíritos. Hoje, numerosos doutores e psicoterapeutas defendem e utilizam as técnicas ancestrais para atingir outras realidades, para a cura efetiva no tratamento de certas desordens do corpo e da alma. A bibliografia sobre xamanismo foi ampliada nestes últimos anos. Porém, apesar disto, continua a ocorrer equívocos ao definirem os xamãs como feiticeiros, videntes, curandeiros, médiuns e outros intermediários das coisas sagradas. Mas, o que é realmente o xamanismo? Quem pode ser chamado de xamã?
A melhor definição talvez tenha sido a que Mircea Eliade deu, de que o xamã é alguém capaz abandonar seu corpo, e viajar entre os mundos. O conhecimento adquirido nessas viagens com os habitantes de diferentes realidades, entre outras coisas, qualificam o xamã a manter o bem-estar e a cura para eles próprios e para os membros de suas comunidades. Mas é essa facilidade deles de realizarem essas viagens extáticas, que define o xamã como "Aquele que voa". Então, o xamanismo é -a técnica do êxtase -, um conjunto de procedimentos para exercitar o controle do vôo mágico. Não é um culto, mas um conjunto de práticas e técnicas, antigas como o ser humano, e que usa o simbolismo de cada cultura das pessoas que as praticam. Mas debaixo daqueles símbolos as mesmas forças e os mesmos elementos estão agindo no insondável infinito, possibilitando aos indivíduos aprenderem conscientemente a transpor o aparente abismo existente entre o mundo físico e as esferas da imaginação e da visão.
Fonte: Lobo do Cerrado
enviada por Roden Conall
02/01/2005 22:42
Well, well, well... Mais um ano civil (ou de acordo com o calendário Greco-romano, como dizem muitos) passou e deixou para trás muitas lembranças. Lembranças boas, lembranças não muito agradáveis, mas várias lembranças. Agora, é época de renovarmos nossas esperanças, criar projetos que vão desde um emprego novo até a renovação do guarda roupa ou, até mesmo, mudança de vida em qualquer outro sentido, da mesma forma que Yule nos traz: a esperança do novo, a renovação, o renascimento.
Apesar de o calendário civil não ser o mesmo do pagão, assim mesmo nos traz essa "luz no fim do túnel". Engraçado isso...
Mas é possível sentir no ar a energia que esta sendo gerada. Uma energia que promete transformações profundas para algumas pessoas e nem tanto para outras. Traz a sensação da Realização e da compaixão. Nos traz além de tudo isso, a vontade de seguir mais um calendário batalhando, conquistando, realizando, frustrando, chorando, sorrindo, amando ou odiando... Mas não importa, o importante é que Estamos Vivos e devemos celebrar isso. Celebre a chuva que cai, celebre o sol que radia, celebre tudo o que for possível e impossível, pois todos nós viemos da Deusa e todos nós somos Ela, todos nós somos a Natureza, a mesma que cria e a mesma que destrói abrindo espaço para o novo.
Que Ísis e Osíris, Tiamat e Apsu abençoe nossas vidas e nossos passos nesse longo caminho que chamamos de Vida.
Desejo a todos que 2005 seja repleto de realizações, muito SEXO e muito amor por tudo e por si mesmo.
Blessed Be
Roden Conall
enviada por Roden Conall
11/12/2004 19:12

Parabéns pra mim !!!! Que eu tenha TUDO O QUE QUERO e QUE EU TENHA MUITA GRANA !!!!!!!!
PARABÉNS PRA MIM !!!
Que a Deusa abençoe minha nova roda com amor, paixão e sucesso.
Que o Deus abençoe minha nova roda com inspiração, força e coragem.
BB.
enviada por Roden Conall
29/09/2004 20:52
ORÁCULOS!!!
Oráculo era uma expressão usada para designar o lugar onde se supunha que as divindades consultadas davam respostas a respeito do futuro, assim como para designar a própria resposta dada.
O mais antigo oráculo Grego era o de Júpiter, em Dondona.
Segundo uma versão, ele surgiu da seguinte maneira: Duas pombas pretas partiram de Tebas, no Egito, e uma delas voou para Dondona, no Épiro, e, pousando num bosque de carvalhos, anunciou, em linguagem humana, aos habitantes do lugar que eles deviam estabelecer ali um oráculo de Júpiter. A outra voou para o templo de Júpiter, Amon, no Oásis Líbio, e transmitiu ali a mesma ordem.
A outra versão é de que não foram pombas, mas sim sacerdotisas, que, levadas de Tebas, pelos fenícios, estabeleceram os oráculos de Oásis e de Dondona. As respostas do oráculo eram dadas nas árvores, pelo ruído que faziam as folhas movidas pelo vento, sendo esses sons interpretados por sacerdotes.
O mais célebre dos oráculos Gregos, contudo, era o de Apolo, em Delfos, cidade construída nas encostas do Parnaso, na Fócida.
Tinha-se observado, desde longo tempo, que as cabras que pastavam no Parnaso eram atacadas por convulsões, quando se aproximavam de uma certa gruta bem profunda situada de um lado da montanha. Isso se devia a um determinado vapor que saía da caverna, e um dos pastores foi levado a experimentar, ele próprio, seus efeitos. Aspirando o ar intoxicante, ele foi afetado do mesmo modo que as cabras, e os habitantes da região vizinha, não podendo explicar o fato, atribuíram as convulsões a uma inspiração divina. A notícia se espalhou rapidamente e foi construído um templo no local.
A influência profética foi, a princípio, atribuída ora à Deusa Terra, ora a Netuno, ora a Têmis, ou a outras divindades, mas, finalmente, a Apolo, e somente a ele.
Uma Sacerdotisa, chamada Pítia, teve o encargo de aspirar o ar corrompido. Era preparada para executar suas funções por uma prévia ablução na fonte de Castália, e, depois de coroada de louro, assentava-se numa trípode igualmente adornada, que era colocada sobre a fenda de onde saía a emanação sagrada. Suas palavras, inspiradas desse modo, eram interpretadas por Sacerdotes.
Ardat Lili
Fonte: O Livro de Ouro da Mitologia. Ed. Ediouro
enviada por Roden Conall
19/08/2004 15:11
PÁRA TUDO!!! VAMOS AJEITAR ESSA BAGUNÇA!!!,
Calma gente, não abandonei o blog... só estava tentando pensar em novos projetos para aumentar cada vez mais a qualidade do Blog of Shadows.
Seguinte: a cada mês será escolhido um panteão diferente e diversos textos sobre a mitologia desse panteão ou Deusa/Deus escolhido, será postado. Mas o diferencial disso é que os textos não serão escritos apenas por mim, mas também por pessoas ligadas à Arte, Sacerdotes e Sacerdotizas, amigos, entre outros...
Vamos iniciar nossa jornada com uma versão grega da Criação do Mundo. O Texto é de Ardat Lili.
Relaxem em suas cadeiras e vamos embarcar numa viagem fascinante à Grécia.
Boa leitura e bom aprendizado!
EURÍNOME E OFÍON.
Antes de serem criados o mar, a terra e o céu, todas as coisas apresentavam um aspecto que se dava o nome de Caos uma massa informe e confusa, mero peso morto, no qual, contudo, jaziam latentes as sementes das coisas. A terra, o mar e o ar estavam todos misturados. Dessa forma, a terra não era sólida, o mar não era líquido e o ar não era transparente.
Nesse imenso caos do mundo, vivia solitária Eurínome, Deusa poderosa de uma exuberante beleza sedutora a quem foi dado o título de Mãe de Todos os Prazeres. Ela adorava dançar mas, não tendo uma base para apoiar seus pés, acabou por separar o céu do mar. Assim, começou a saltar e dançar por sobre as ondas que criara até que encontrou, do lado norte do mundo, um vento forte. Eurínome gostou do vento. Achou o seu frescor agradável e decidiu começar por ele a obra da criação. Apanhou, então, o fluido companheiro e, com as mãos enérgicas, esfregou-o até que se tornasse sólido. O vento se transformou em uma serpente, Ofíon, que se estendeu aos pés de sua criadora.
Com frio, Eurínome voltou a dançar para se aquecer. Ao vê-la dançando, a serpente se apaixonou pela Deusa e uniu-se a Ela para gerar todas as coisas que hoje existem. Ela, então, transformou-se em pomba, sentou-se sobre as águas do mar e pôs um ovo, que continha a natureza. Então, Ofíon enrolou-se sete vezes ao redor do ovo para chocá-lo. Quando a casca rompeu saíram o Sol, a Lua, os planetas, os outros astros, a Terra, com suas montanhas e rios, as árvores, plantas animais e os homens.
Eurínome e Ofíon pertenciam à raça dos Titãs, filhos da Terra e do Céu, que surgiram do Caos.
Quando despertei e surgi do caos
rodopiante e fervilhante,
não vendo outra maneira de expressar
o puro deleite,
a selvagem alegria
que senti,
comecei a dançar minha exuberância
essa sensação de flutuar num mar
de alegria arrebatada
perdida e transportada
na intensidade
do êxtase.
Fontes: O livro de Ouro da Mitologia. Ed Ediouro; O Oráculo da Deusa

enviada por Roden Conall
02/06/2004 22:22
Olá All !
Dedico este post à Deusa Egípcia Nut. Estamos na véspera de um Esbath dedicado a Ela, escrevi este texto contanto a Mitologia Dela...
Mito de Nut
Quando Atum reinava sobre o vazio, da união do nada com o nada, Ele gerou duas crianças: Shu e Tefnut. Eles geraram dois filhos: A Terra e o Céu, que receberam os nomes de Geb e Nut respectivamente.
Nut e Geb se amavam intensamente e, em virtude desse amor, o corpo de Nut, a Mãe dos Céus, abrigava milhares de estrelas. Ela deu a Geb muitos filhos. Um deles (alguns textos retratam como os mais importantes), Ra, o deus Sol (alguns textos também declaram que Rá foi o pai de Nut) e Toth, o Deus Lua. Essas crianças saíram do ventre de Nut e passaram a girar em torno Dela sem parar, determinando os ciclos, as estações e o próprio tempo. No entanto, Nut ficou grávida novamente de Geb e Rá, sentindo ciúmes muito grande, foi até seu avó, Shu, e pediu que os separassem.
Shu, então, separou Nut de Geb, erguendo suas mãos por Ela, fazendo com os dois ficassem cada vez mais distantes um do outro, incapacitando-A de tocar Geb, a não ser pelo horizonte, onde as pontas de seus dedos pudessem tocar a Terra. Rá amaldiçoou Nut impedindo-a de gerar filhos em qualquer dia dos 360 dias do Ano Egípcio e Ele se afastou e gerou sozinho toda a humanidade.
Toth decidiu ajudar Nut, propondo um jogo a Rá. A cada vez que Toth ganhava o jogo, ganhava também pedaços da luz de Rá. Ao término do jogo, Toth tinha luz suficiente para criar 5 dias, que são conhecidos como os Dias Epagomenais, onde Nut poderia dar à luz nesses dias que não eram do ano. Tempos depois, um sexto dia epagomenal foi acrescentado para ajustar o calendário, exatamente como o ano bissexto. Nesses 5 dias que foram criados, Nut deu a luz a Isis no primeiro dia, Osíris no segundo, Neftis no terceiro e Seth no quarto dia (há versões que contam que no quinto dia, Hórus nasceu do ventre de Nut, porém a menos relatada).
Nut é uma mãe provedora e a Senhora das Estrelas. Por isso muitas vezes é representada como uma mulher despida e coberta com estrelas e exerce um papel muito importante no mito da criação. É a mãe que protege e seu corpo é o próprio universo.
Segundo a Mitologia Egípcia, o Deus Sol Rá, entrava por sua boca ao entardecer e viajava através do seu corpo durante a noite para renascer de seu ventre ao amanhecer. Nut também engolia as estrelas ao amanhecer que renasciam ao anoitecer.
Nut também é a deusa que recebe os faraós, que adentram seu corpo, cuidando de sua alma até a ressurreição, por isso é freqüentemente retratada na parte interna das tampas dos sarcófagos.
Existem duas partes no mito de Nut. Uma onde Ela é separada violentamente por Shu, seu pai, e outra quando Rá abandona a humanidade, e Nut deixa Geb se transforma numa vaca, onde Ela é associada com Hathor, que é uma Deusa Vaca.
Espero que todos tenham gostado do texto e conhecido um pouco sobre o mito desta Deusa Maravilhosa !!
Bençãos da Senhora dos Céus Estrelados.
enviada por Roden Conall
26/05/2004 14:12
Como o último post de Mitologia Egípcia foi sobre o Deus dos Mortos Anúbis, achei interessante dedicar um texto sobre Mumificação. Portanto, aí vai ele:
Mumificação - Pesagens da Almas
Segundo a lenda, Osíris foi um bom governante do Egito. Seth, seu írmão mais novo, movido pela inveja e utilizando as suas artes maléficas, o assassinou e o cortou em pedaços. A esposa de Osíris, Ísis, procurou os seus restos por todo o Egito e, com a ajuda de Néftis, embalsamou-o.
A maldade de Seth não ficou impune, uma vez que os Deuses, instigados por Hórus, filho de Osíris e Ísis, o levaram a julgamento e o condenaram. Baseados nisso, os egípcios, inclusive o faraó, deviam submeter-se a este julgamento para poder gozar junto a Osíris de uma eternidade nos campos de Iaru (o tal paraíso dos cristãos).
Embora as origens dessa crença remontem ao Antigo Império, segundo atestam alguns túmulos, as representações da psicostasia foram mais abundantes durante o Novo Império. Diodoro Sículo (século I a.C.) também fala de um tribunal a que se submetia a múmia antes de ser sepultada. Antes de chegar à Sala das Duas Verdades para o julgamento, o morto já se havia purificado mediante alguns rituais e para agradar aos deuses, oferecia-lhe flores de lótus, símbolo da criação e do renascimento, pois essas flores fecham-se à noite e abrem-se de dia.
Antes da Pesagem das Almas (Julgamento) ocorria a mumificação, que para os antigos egípcios era um ritual sagrado, para eles o corpo era constituído de diversas partes: o Ba (ou alma), o Ka (ou força vital) e o Akh (ou força divina inspiradora da vida). Para alcançar a vida depois da morte, o Ka necessitava de um suporte material, que habitualmente era o corpo (khet) do morto. Este devia manter-se incorrupto, o que se conseguia com a técnica da mumificação. Os sacerdotes funerários encarregavam-se de extrair e embalsamar as vísceras do corpo. A técnica de embalsamar era muito complicada, e os sacerdotes deviam ter conhecimentos de anatomia para extrair os órgãos sem danificá-los.
Primeiro extraíam o cérebro introduzindo um gancho no nariz, depois de terem partido o osso etmóide. A seguir, marcavam, com um pincel, uma linha no lado esquerdo do corpo, onde faziam um corte para extraír as vísceras. O coração, que devia controlar o corpo no Além, e os rins, aos quais o acesso era difícil ou por motivos ainda não descobertos, permaneciam dentro do morto. As vísceras eram lavadas com substâncias aromáticas e colocadas em Vasos Canopos (vasos ou urnas de pedra), representando divindades chamadas Filhos de Hórus, que protegiam as vísceras da destruíção. Eram quatro vasos, com tampas em forma de homem, de chacal, de falcão e de macaco. A partir da XXI dinastia, estes órgãos eram enfaixados e colocados dentro do corpo do morto.
A seguir, o corpo era depositado em natrão (carbonato de sódio natural) durante algum tempo e, depois, lavado e massageado com perfumes, óleos e incenso para a cabeça. Colocavam-se olhos de vidro, para dar sensação de realidade, cobria-se a incisão do lado esquerdo do corpo, da qual eram extraídas as vísceras, com uma placa de madeira, cera ou metal com o símbolo Udyat (Olho de Hórus). Assim, o cadáver estava pronto para ser enfaixado.
O morto devia ser reconhecido no Além. Por isso, depois de enfaixado o corpo mumificado, colocava-se uma máscara com um retrato idealizado do morto. As máscaras dos faraós eram feitas de ouro e lápis-lazúli. Segundo os egípcios, a carne dos deuses era de ouro, seu cabelo de lápis-lazúli e os ossos de prata, material muito raro no Egito. Os faraós eram representados como o Deus Osíris, soberano dos mortos. Na cabeça levavam o nemes, adorno listrado enfeitado na parte da frente com a serpente protetora dos faraós. Os braços ficavam cruzados sobre o peito. Numa das mãos, seguravam o cetro real e na outra, um chicote.
Uma vez preparado o cadáver e depositado no sarcófago, fazia-se uma procissão. Quando a procissão chegava ao túmulo, o sacerdote realizava o ritual de abrir a boca da múmia, para que ela voltasse à vida. Todo o material funerário, juntamente com o sarcófago e as oferendas, era depositado no túmulo, que, a seguir, era selado para que nada perturbasse o eterno repouso do defunto. Assim, o morto iniciava um longo percurso pelo mundo Além-Túmulo.
Anupu (Anúbis), guardião das necrópoles e Deus da mumificação, levava-o perante Osíris, soberano do reino dos mortos, o qual, juntamente com outros deuses, realizava a chamada psicostasia, em que o coração do defunto era pesado. Se as más ações fossem mais pesadas que uma pena, o morto iria para o Inferno Egípcio. Se passasse satisfatoriamente por essa prova, podia percorrer o mundo subterrâneo, cheio de perigos, até o paraíso (Campos de Iaru).
A cerimônia da psicostasia (julgamento) realizava-se na Sala das Duas Verdades. Em uma das extremidades dessa sala, encontrava-se Osíris, sentado no trono e acompanhado por outros Deuses e 42 juízes. No centro da sala, colocava-se a balança em que se pesava o coração.
Representado por um chacal ou por um cão deitado, ou ainda pela figura de um homem com cabeça de chacal ou de cão, o deus Anúbis (Anupu em egípcio, "o que conta os corações") era um dos responsáveis pelo julgamento dos mortos no além-túmulo.
Enquanto o morto fazia sua declaração, Anúbis ajoelhava-se junto a uma grande balança colocada no meio do salão e ajustava o fiel com uma das mãos, ao mesmo tempo em que segurava o prato direito com a outra. O coração do finado era colocado num dos pratos e, no outro, uma pena, símbolo de Maat, a deusa da verdade e justiça (a verdade era o contrapeso com o qual se pesava o coração do morto durante o julgamento). O coração humano era considerado pelos egípcios a sede da consciência.
Assim, ao ser pesado contra a verdade, verificava-se a exatidão dos protestos de inocência do defunto. Como as negativas vinham de seus próprios lábios, ele seria julgado pelo confronto com o seu próprio coração na balança.
Diante dessas divindades e juízes, o morto devia realizar a confissão negativa, a sua declaração de inocência. Antes de fazê-la, o morto dirigia-se ao seu coração e pedindo-lhe que não o contradissesse. Freqüentemente, esta fórmula aparecia escrita no "escaravelho do coração", um amuleto que se colocava entre as ataduras das múmias, perto do coração. Depois de recitar essa fórmula, o morto colocava-se diante de cada um dos juízes e recitava outra fórmula, na qual se declara inocente de todos os pecados:
"Não pratiquei pecados contra os homens. Não maltratei os meus parentes. Não obriguei ninguém a trabalhar para lá do que era legítimo. Não pratiquei enganos com o peso da minha balança. Não causei a fome de ninguém. Não pratiquei fraudes na medição dos campos. Não subtrai o leite da boca das crianças."
Curiosamente, essa declaração era à respeito de atos cometidos contra os homens e não contra os deuses. Se o morto tivesse pecado, o prato da balança pesava mais, não era absolvido no julgamento e tornava-se demônio, que ameaçava o equilíbrio cósmico, e Amut, um monstro com cabeça de crocodilo e patas de leão e de hipopótamo, devorava-o. Se não fosse devorado, deuses como Chesmu arrancavam-lhe a cabeça e inflingiam-lhe uma série interminável de castigos (Inferno Egípcio). Só os justos de coração eram admitidos no reino de Osíris, nos Campos de Iaru, o que era o desejo de cada egípcio, identificar-se com Osíris (Deus dos Mortos) e assim poder renascer como ele o fizera (essa identificação com o deus vem expressa no Livro dos Mortos). O morto absolvido no julgamento ia para o "paraíso", este era representado como uma planície com canais, à qual se chegava por uma escada. Ali se vivia feliz, porque os uchebtis realizavam todo o trabalho.
Os uchebtis, significa "os que respondem", eram pequenas estatuetas colocadas no túmulo para servir o morto no Além. Os mais valiosos eram feitos de ouro e de lápis-lazúli, mas também havia os fabricados em terracota, pedra, faiança ou madeira. Muitas vezes eram figuras masculinas, com um arado ou uma enxada e um cesto às costas. Na parte da frente, escrevia-se um capítulo do Livro dos Mortos. Ao recitar esse texto, ganhavam vida e podiam trabalhar no lugar do morto. Em alguns túmulos encontraram-se 365 uchebtis, uma para cada dia do ano. Nos túmulos dos faraós, o número de uchebtis pode ser até superior.
Espero que tenham gostado do texto !
Bençãos de Osíris e Anúbis.
Roden Conall
enviada por Roden Conall
27/04/2004 16:39
Beltane Os Amantes se Enlaçam
1º de maio no hemisfério Norte
31 de outubro no hemisfério Sul
Beltane ocorre no pico da Primavera. Este é o momento do ano em que a Terra se aquece no gentil abraço de calor do Sol e o Inverno é oficialmente e, finalmente, deixado para trás.
Beltane ocorre no dia 1º de maio no hemisfério Norte e no dia 31 de outubro no hemisfério Sul.
O Sol está rapidamente se aproximando do seu apogeu, que ocorre em Litha, e o seu calor ajuda as plantas e sementes a serem fertilizadas. Os animais brincam e se acasalam.
A Deusa e o Deus agora estão em plena vitalidade e amam-se com toda intensidade. O Deus (o Sol) tem crescido e caminhado para sua fase adulta e a Deusa está no ápice de sua beleza e feminilidade. Eles irão consumar o seu amor. A Sua paixão é evidente em toda a vida presente na Terra.
O Sabbat Beltane marca a união da Deusa e do Deus, representando a fertilidade dos animais e as colheitas do próximo ano.
É o simbolismo da união entre os princípios masculino e feminino da criação, a união dos meios de todos os poderes que trazem vida a todas as coisas. Em Beltane comemoramos a fertilidade, o amor que dá forças a tudo e o retorno do Sol com toda a sua intensidade.
A palavra Beltane vem do nome do Deus céltico Bel, que era o senhor da vida, da morte e do mundo dos espíritos. Tinne é uma palavra céltica que significa fogo. Assim, Beltane quer dizer Fogo de Bel.
A antiga tradição requeria que o fogo doméstico fosse apagado da casa toda nesse momento. Uma grande fogueira era feita com as nove árvores sagradas (freixo, bétula, teixo, aveleira, sorveira, salgueiro, pinheiro, espinheiro e carvalho) e então acesa pelos Druidas, sem o suo de pederneira ou aço, ao nascer da Lua, dando-se início à comemoração do Sabbat.
Entre os primeiros povos Pagãos era costume pular a fogueira da Beltane para se livrar de doenças e energias negativas, assegurar bons partos e pedir as bênçãos dos Deuses da fecundidade.
Cada família levava brasas desse fogo para sua casa. Isso simboliza a renovação da vida depois do Inverno frio. Levando as brasas do fogo sagrado e reacendendo o fogo doméstico, as pessoas compartilhavam do divino, representando uma bênção de esperança para um Verão próspero e fértil, com uma colheita abundante.
Beltane é o tempo de celebrar a vida em todas as formas. É o momento de dar boas-vindas ao Verão, momento de equilíbrio, no qual nos despedimos das chuvas, e as colinas e vegetações atingem tons dourados.
Entre os povos da Europa, os gados, que tinham ficado presos durante todo o Inverno, eram soltos nos pastos em Beltane, a festa que confirmava a promessa da Primavera e o aumento da luz do Sol.
Ao longo dos séculos da Europa céltica, muitos outros costumes foram associados a Beltane. Como nessa época do ano a Terra era muito fértil, a maioria das Tradições européias locais se preocupavam com a fertilidade das colheitas e animais. Beltane era celebrado com flores e uma grande festa pública. Um dos símbolos mais conhecidos associado com esse Sabbat é o Mastro de Beltane ou Maypole (Mastro de Maio, pois no hemisfério Sul Beltane é festejado no primeiro dia de maio). Feito do tronco de uma árvore forte e alta, normalmente o vidoeiro ou freixo era enfeitado com flores e tiras. Uma vez decorado era elevado freqüentemente na praça da aldeia, ponto focal das atividades da comunidade. Seu simbolismo era fálico em honra da fertilidade renovada da Terra.
Ainda hoje continuamos com a Tradição de elevar um grandioso Mastro para celebrar esse Sabbat. O Mastro simboliza o falo do Deus e ele sempre é ornado com uma coroa de flores e fitas multicoloridas, e um buraco é cavado no chão representando a buceta da Deusa. Cada participante pega uma fita e começam então a entrelaçar uma na outra até que todo o Mastro esteja revestido por elas. Ao dançarem e entrelaçaraem as fitas no Mastro, estão representando a união da Deusa e do Deus. Na essência, os participantes estão realizando uma incrível união sexual no nível divino.
Um dos mais belos e antigos costumes associados com esse festival era o Bringing in the May. Os jovens das vilas e cidades iam até as florestas à meia-noite de Beltane para colher flores. Quando retornavam para a sua vila, paravam em cada casa e presenteavam seus moradores com as flores; então recebiam as melhores comidas e bebidas que os anfitriões podiam oferecer. Isto trazia boa sorte para os donos da casa e era um ato generoso que representava a bondade da Terra nessa época do ano.
Em Beltane o Grande Rito é realizado e possui um significado muito mais especial nesse Sabbat, pois representa o Casamento sagrado, a União Sexual da Deusa e do Deus que sustentará a Terra, dando uma colheita farta e abundante para todos nós nos meses vindouros. O Grande Rito é ralizado simbolicamente, quando o Athame (símbolo fálico) é mergulhado no Cálice (símbolo do ventre da Deusa).
Na Europa Antiga, as pessoas celebravam Beltane unindo-se sexualmente em meio aos bosques. Todas as crianças concebidas por meio dessas uniões eram consideradas bem-aventuradas e filhos da Deusa e do Deus. Essas uniões em meio às árvores era um ato de Magia simpática e todos acreditavam que tinha um efeito positivo nos reinos animal, vegetal e humano.
Beltane é um Grande Sabbat e, por isso, uma fogueira é acesa de acordo com as Antigas Tradições. O Deus Bel é invocado e então todos pulam a fogueira para se livrar de má sorte, doenças, negatividade e para atrair a fertilidade para sua vida. O Fogo simboliza o Deus em seu total aspecto da Amante da Deusa.
Nesse dia celebramos a vida dançando em volta do Mastro de Beltane (Maypole), dando as boas-vindas ao Verão que se aproxima, pulando o Caldeirão para atrair fertilidade. Muitos casais pulam juntos o caldeirão, para conceber uma criança. A fertilidade sexual é invocada e celebrada como o meio pelo qual todos vêm para a Terra. Beltane é o dia da alegria, da felicidade e do riso. É a festa mais alegre dentre todas, pois celebra a vida em todas as suas manifestações.
É em Beltane que as sementes plantadas no Equinócio da Primavera começam a germinar e brotar. Magicamente falando, Beltane é o tempo de fertilizar, nutrir e encorajar aquilo que plantamos em Ostara, que são nada mais nada menos que os nossos próprios desejos.
Feliz Beltane à Todos e Bençãos de Bel

enviada por Roden Conall
27/04/2004 16:35
Samhain A Morte do Deus
31 de outubro no hemisfério Norte
1º de maio no hemisfério Sul
Samhain (pronuncia-se Sou-ein), festejado em 31 de outubro no hemisfério Norte e em 1º de maio no hemisfério Sul, é o Ano-Novo dos Bruxos. Esse dia sagrado é conhecido por inúmeros nomes. Para muitos, talvez, o mais conhecido seja Halloween. Para nós, Bruxos, é a festa na qual honramos nossos ancestrais e aqueles que já tenham partido para o País de Verão.
Essa é a noite em que o véu que separa o mundo material do mundo espiritual encontra-se mais fino e o contato com nossos ancestrais torna-se mais fácil. É também o momento tradicional para celebrar a última das colheitas e se preparar para o Verão.
O poder de magia pode ser sentido no ar, nessa noite. O Outro Mundo se coaduna com o nosso conforme a luz do Sol baixa e o crepúsculo chega. Os espíritos daqueles que já partiram para o outro plano são mais acessíveis durante a noite de Samhain.
Samhain ocorre no pico do Outono. É o tempo do ano em que o frio cresce e a morte vaga pela Terra. O Sol está enfraquecendo cada vez mais rapidamente, a sombra cresce e as folhas das árvores estão caindo, numa preparação ao Inverno que chegará. Essa é a última colheita, o tempo em que os antigos povos da Europa sacrificavam seus gados e preservavam sua carne para o Inverno, pois esses animais não podiam sobreviver em grande escala nesse período do ano devido ao frio vindouro. Só uma pequena parte, os mais viris e fortes, era mantida para o ano seguinte.
Samhain é a noite em que o Velho Rei morre e a Deusa Anciã lamenta sua ausência nas próximas seis semanas. O Sol está em seu ponto mais baixo no horizonte, de acordo com as medições feitas através das antigas pedras da Britânia e da Irlanda, razão pela qual os Celtas escolheram esse Sabbat, em vez de Yule, para representar o Ano-Novo. Para os Antigos Celtas, esse dia sagrado dividida o ano em duas estações, Inverno e Verão. Samhain era o dia no qual começavam o Ano-Novo celta e o Inverno, por isso era um tempo ideal para términos e começos.
É o dia ideal para honrar os mortos, pois nele os véus que separam os mundos estão mais finos. Aqueles que morreram no ano passado e aqueles que estão reencarnando passam através dos véus e portais nesse dia. Os Portões das Sidhe estão abertos e nem humanos nem fadas precisam de senhas para entrar e sair.
Em Samhain, o Deus finalmente morre, mas sua alma vive na criança não-nascida, a centelha de vida no ventre da Deusa. Isto simboliza a morte das plantas e a hibernação dos animais, o Deus torna-se então o Senhor da Morte e das Sombras.
Samhain é um festival do fogo e é a entrada para a parte sombria e fria da Roda do Ano. É em Samhain que as fogueiras são acesas para que os espíritos do outro mundo possam encontrar os caminhos para partirem ao Outro Mundo (País de Verão).
Samhain é o tempo de lembrarmos com amor aqueles que partiram para o outro lado, por isso é chamado de a Festa Ancestral. Toda a família, ou grupo, se reúne para reverenciar os que já partiram. É muito comum nesse Sabbat se realizar uma ceia em silêncio, conectando-se com aqueles que já cruzaram os portais dos mundos. É tradicional também deixar um lugar à mesa para os ancestrais e lhes servir pratos como se eles estivessem presentes á ceia.
Para aqueles que não têm família para festejar e celebrar seus ancestrais, alimentos geralmente são deixados do lado de fora de casa, na porta de entrada, em homenagem aos familiares e amigos desencarnados.
É também tradicional deixar uma vela acesa na janela da casa para ajudar a guiar os espíritos ao longo de sua caminhada ao nosso mundo para que possam encontrar o caminho de volta.
De acordo com os antigos celtas, havia apenas duas divisões do ano que iam de Beltane a Samhain (Verão) e de Samhain a Beltane (Inverno).
Samhain é um dos quatro grandes Sabbats e muitas vezes é considerado o Grande Sabbat.
Por ser o maior de toso e o mais importante também, todos os Pagãos consideram Samhain como a noite mais mágica do ano. Muitas práticas adivinhatórias foram associadas a Samhain, as mais comuns eram aquelas que prenunciavam casamentos e fortunas para o próximo ano que estava se iniciando.
Uma das tradições mais comuns praticadas pelos povos antigos era a de colocar várias maçãs em um grande barril de água. Várias mulheres se reuniam em volta do barril, e a primeira que conseguisse pegar uma das maçãs seria a primeira a casar no próximo ano.
Na Escócia, colocavam-se pedras entre as cinzas da lareira, deixando-as descansar durante a noite. Se alguma pedra fosse descoberta durante a noite, representaria a morte iminente durante o próximo ano de um dos moradores da residência.
Sem sombra de dúvida a prática mais famosa do Samhain é o Jack OLantern (máscaras de abóboras), que sobrevive até hoje nas modernas celebrações do Halloween. Vários historiadores atribuem suas orgines aos escoceses, enquanto outros lhe conferem origem irlandesa. As máscaras eram utilizadas por pessoas que precisavam sair durante a noite de Samhain. As sombras provocadas pela face esculpida n abóbora tinham a virtude de afastar os maus espíritos e todos os seres do outro mundo que vinham para perturbar. Máscaras de abóboras também eram colocadas nos batentes das janelas e em frente à porta de entrada para proteger toda a casa.
O costume norte-americano de vestir-se com trajes típicos e sair pelas casas dizendo Trick or treating, nas noites de Halloween, é de origem céltica. Nos tempos antigos, o costume não era relegado às crianças, mas sim aos adultos. Em tempos ancestrais, os vagantes iam cantando cânticos da época de casa em casa e eram presenteados com agrados pelo seus habitantes. O Treat (presente) também era requerido pelos espíritos ancestrais nessa noite através de oferendas.
O Deus neste período é identificado com os animais que eram sacrificados para continuidade da vida.
Samhain é um tempo para a reflexão, no qual olhamos para o ano mágico que passou e estabelecemos as metas para nossa vida no ano que entra.
Feliz Samhain à Todos !!!

enviada por Roden Conall
06/04/2004 19:53
Mito de Anúbis
Escravizados pelo alento de vagarem no regaço da imortalidade, superando os próprios limites da existência, os Egípcios conceberam a arte do embalsamamento, que, ao conservar os seus corpos, os arrebatava ao abominável espectro da deterioração, tal como sugere uma das muitas inscrições talhadas sobre os caixões: Eu não deteriorarei. O meu corpo não será presa dos vermes, pois ele é durável e não será aniquilado no país da eternidade. Esta arte divina, apta a enfeitiçar o tempo, tornando-o escravo daqueles que a ela recorriam, era ditada, reinventada e abençoada por Anúbis, guardião das sublimes moradas da eternidade, Soberano das mumificações e embalsamamentos, intermediário entre o defunto e o tribunal que o aguardava no Além e deidade cuja aparência é estigmatizada pelas incumbências de que é investido. Por conseguinte, e numa flagrante evocação dos cães e chacais que velavam pelas inóspitas e desérticas necrópoles, esta divindade surge como um animal da família dos Canídeos ou, então, como um homem detentor de uma cabeça de chacal. A mitologia egípcia revela-nos que Anúbis era fruto de uma ilegítima noite de amor vivida por Osíris nos braços de Néftis.
A lenda revela-nos que tão inusitada união dera-se aquando do retorno do então Soberano do Egito ao seu magnífico país. Descansando de uma viagem que o manteve longe da sua pátria por uma eternidade, Osíris ardia em desejo de sentir o Sol que raiava no olhar de Ísis, despir a mortalha de nuvens, tecida pela saudade, que vestia e sufocava os céus de sua alma. Ao vislumbrar Néftis, o deus enlaça-a então em seus braços, tomando-a pela sua esposa. E os seus sentidos, cegos pela paixão, revelam-se impotentes para lhe desvendar a traição que ele cometia, antes desta encontrar-se consumada. Graças a uma coroa de meliloto abandonada por Osíris no leito de Néftis, Ísis abraça a percepção de que o seu amado esposo havia-lhe sido infiel e, desesperada, confronta a sua irmã, que lhe revela que de tão ilídimas núpcias nascera um filho, Anúbis, o qual, temendo a cólera do seu esposo legítimo, Seth, ela havia ocultado nos pântanos. Ísis, a quem não fora concedido o apanágio de conceber um filho de Osíris, enleia então a resolução de resgatá-lo ao seu esconderijo, percorrendo assim todo o país até encontrar a criança. Ato contínuo, e numa notória demonstração da benevolência que lhe era característica, a deusa amamenta Anúbis, criando-o para tornar-se o seu protetor e mais fiel companheiro.
A lenda de Osíris comprova que Ísis foi coroada de sucesso, uma vez que, após o desmembramento do corpo de seu esposo, Anúbis voluntariou-se prontamente para auxiliar a deusa a reunir os inúmeros fragmentos do defunto. Posteriormente, Anúbis participa com igual dedicação nos rituais executados com o fim de restituir a Osíris o sopro de vida e que lhe facultaram a concepção da primeira múmia, facto que legitimou a sua conversão no venerado deus do embalsamamento, eterno guia do defunto no Além. A sua crescente influência garantiu-lhe um posto relevante no tribunal composto por quarenta e dois juizes que julgava os recém - mortos. De fato, é ele quem conduz Osíris até o júri, apresentando-o ao tribunal por ele presidido, para de seguida proceder à pesagem do coração. Se porventura o morto desejar mais tarde regressar à terra, é Anúbis quem ele tem a obrigação de notificar previamente, dado que esta surtida só será exequível com o seu consentimento expresso, formalmente consignado sob a forma de um decreto.
As suas múltiplas funções permitem a este deus deter diversas denominações, embora todas elas se encontrem intrincadamente relacionadas com o seu papel na vida póstuma dos egípcios. Assim, Anúbis é reconhecido como o das ligaduras, como patrono dos embalsamadores, presidente do pavilhão divino, enquanto soberano do edifício onde a poesia da mumificação era declamada por peritos, senhor da necrópole ou então aquele que está em cima da montanha, designações que exaltavam a sua posição enquanto guardião dos túmulos e condutor dos defuntos nos traiçoeiros labirintos do mundo inferior. Como tal, não é de todo inusitado a lista interminável de hinos e preces a ele destinados, que encontramos não raras vezes nas paredes das mastabas mais antigas e igualmente no famigerado Texto das Pirâmides.
Anúbis constitui igualmente a deidade tutelar da décima sétima província do Alto Egito, cuja capital, Cinopólis (A Cidade dos Cães), era o âmago do seu culto, não obstante a sua imagem ser também uma constante em relevos e textos figurativos existentes nas sepulturas reais ou plebeias do vale do Nilo. Com efeito, ao longo de toda a época faraônica, Anúbis usufruiu de uma inefável popularidade que se refletiu na sólida implantação do seu culto nos centros religiosos do país, particularmente em Tebas ou Mênfis. Em Charuna, localidade próxima do seu principal santuário, deparamo-nos com uma necrópole de cães mumificados, os quais eram venerados enquanto animais sagrados do deus.
Mas afinal que arte era esta que Anúbis protegia e representava? Originalmente, antes de haverem alcançado o seu meticuloso método de mumificação, os Egípcios envolviam os seus defuntos numa esteira ou pele de animal, visando que o calor e o vento dissecassem os cadáveres. Após um moroso processo evolutivo, os embalsamadores conseguiram enfim obter de forma artificial tal conservação natural, mediante um tratamento, que se prolongava por setenta dias. Uma vez ser necessário quantidades abundantes de água para lavrar os corpos, este ritual era realizado na margem Ocidental do rio Nilo (a considerável distância das habitações), onde os embalsamadores trabalhavam numa tenda arejada. Terminado o referido período de tempo, os defuntos seguiam para as designadas Casas de Purificação, meras salas reservadas para as práticas de mumificação, onde cada gesto dos embalsamadores era talhado no olhar vigilante dos sacerdotes. Segundo inúmeros baixos - relevos e pinturas, estes primeiros ostentavam máscaras com a efígie do deus - chacal Anúbis, a deidade protetora dos mortos, talvez num desejo de atrair a sua benevolência.
O único exemplar que se conserva de semelhante máscara leva a crer que esta servisse igualmente de proteção contra os diversos cheiros que fustigavam os embalsamadores. Alguns momentâneos descuidos destes levaram-nos a esquecerem-se, por vezes, de determinados instrumentos no interior das múmias, o que nos permite conhecer, aprofundadamente, os seus diversos utensílios de trabalho: ganchos de cobre, pinças, espátulas, colheres, agulhas, vasos munidos de bicos para deitar a goma escaldante sobre o cadáver e furadores com cabeça de forcado, para abrir, esvaziar e tornar a fechar o corpo. Dada a ausência de qualquer informação legada pelos Egípcios sobre as suas técnicas de embalsamamento, é necessário recorrer aos relatos de historiadores gregos, como Heródoto, para que a nossa curiosidade seja saciada. As suas descrições permitem-nos vislumbrar cada movimento dos embalsamadores. Em primeiro lugar, estes extraíam o cérebro do defunto pelas narinas, com o auxílio de um gancho de ferro. Seguidamente, com uma faca de pedra da Etiópia (segundo refere Hérodoto) efetuavam uma incisão no flanco do defunto, pelo qual retiravam os intestinos do morto.
Após terem limpo a cavidade abdominal, lavavam-na com vinho de palma e preenchiam o ventre com uma fusão de mirra pura, canela e outras matérias odoríferas. Deixavam então o corpo repousar numa solução alcalina, baseada em cristais de natrão seco, onde permanecia durante setenta dias, ao fim dos quais a múmia era envolvida com mais de vinte camadas de ligaduras e coberta por um óleo de embalsamamento (uma mistura de óleos vegetais e de resinas aromáticas, coníferas do Líbano, incenso e mirra), que endurecia, rapidamente. Todavia, as suas propriedades anti-bacterianas não protegiam a estrutura do corpo esvaziado, dessecado e leve, fato comprovado pelo incidente ocorrido com a múmia do jovem faraó Tutankhámon, que se fragmentou, quando a tentaram remover do seu caixão. As faixas que envolviam o defunto eram, preferencialmente, de cores vermelho e rosa, jamais sendo utilizado para a sua concepção linho novo, mas sim, aquele que era obtido a partir das vestes que o morto envergava em vida. À medida que as ligaduras eram colocadas em torno dos defuntos, os sacerdotes presentes pronunciavam fórmulas sagradas. Simultaneamente, depositavam-se nos leitos de linho inúmeros amuletos profiláticos, tendo mesmo sido encontrada uma múmia com cerca de oitenta e sete destes objetos de culto. Entre estes encontrava-se ankh (símbolo da eternidade, para os Egípcios), uma das mais preciosas dádivas oferecidas aos homens pelos deuses; o olho de oudjat, ou olho de Hórus, símbolo de integridade, que selava a incisão feita pelos embalsamadores, para retirar as entranhas do morto; um amuleto em forma de coração, concebido para assegurar que os defuntos seriam bem sucedidos nos seus julgamentos; e o escaravelho, esculpido em pedra, barro ou vidro. Este insecto enrola bolas de esterco, onde depõe os ovos. Os Egípcios acreditavam que um escaravelho gigante gerou o Sol de forma similar, rolando-o em direção do horizonte, até ao firmamento. Uma vez que todas as manhãs este astro soberano desprende-se de um abraço de trevas, o escaravelho tornou-se num símbolo da ressurreição dos mortos.
No exórdio da civilização egípcia, terminado os seus processos de mumificação, as pessoas notáveis eram colocadas num caixão de forma retangular, depositado num sarcófago de pedra, considerado como depositário das vidas. Porém, ao longo da história, os caixões sofrem diversas metamorfoses, que alteraram, radicalmente, os seus simulacros. No Médio Império, os caixões tornaram-se antropomórficos, aumentando a sua produção. A própria múmia principiou a ter uma máscara de linho estucado, isenta de qualquer semelhança com o defunto. Na realidade, inúmeras múmias eram sepultadas em diversas urnas, sendo colocada uma dentro da outra, à semelhança das bonecas russas. Deste modo, a urna interna, mais ajustada, deveria encontrar-se apertada atrás. Durante muito tempo, os sarcófagos eram construídos em madeira. Num período mais posterior, as urnas interiores eram feitas com camadas de papiro ou linho, o que se tornava mais economicamente acessível. Junto aos túmulos, repousavam cofres de madeira, que guardavam quatro recipientes, desde o mais humilde pote de barro ao mais faustoso vaso de alabastro. Estes canopos, cujo nome vem de Kanops, cidade situada a leste de Alexandria, continham as vísceras do defunto, uma vez que sem estas, o corpo não se encontraria completo. Inicialmente, esta pratica consistia em mais uma prerrogativa reservada aos soberanos do Egito, mas com alguma rapidez estendeu-se igualmente aos sacerdotes e altos funcionários e, por fim, no Novo Império, a todos os egípcios abastados.
O fígado, o estômago, os pulmões e os intestinos eram envolvidos separadamente em tecidos de linho, formando embrulhos que eram, em seguida, depositados no interior dos vasos canopos, após terem sido impregnados com resina de embalsamamento. Em contrapartida, o coração, símbolo da razão, após ser submetido a um rigoroso tratamento que visava a sua conservação, era sempre recolocado no corpo do defunto, que iria necessitar dele, ao longo do seu julgamento no Além. Por seu turno, as intrínsecas vísceras eram entregues a quatro deidades protetoras, filhos de Hórus, cujas cabeças ornamentavam frequentemente as tampas dos canopos: Amset, com cabeça de homem, (cujo nome resulta de aneth, uma planta conhecida pelas suas propriedades de conservação), tornado protetor do estômago; Hápi, possuidor de uma cabeça de babuíno, que vela pelos intestinos; Duamoutef, que ostenta uma cabeça de cão e cuja missão é proteger os pulmões; e Quebekhsenouf, detentor de uma cabeça de falcão, que preserva o fígado. A partir do Novo Império, eram representadas nas arestas dos canopos deusas protetoras, que, com as asas abertas, resguardavam os seus conteúdos. As mesmas deusas surgiam ajoelhadas nos cantos dos sarcófagos. Nut, a deusa da abóbada celeste, adorna a face interior do tampo do caixão.
Paradoxalmente, os mais humildes eram privados de qualquer prerrogativa, sendo sepultados no deserto, envoltos numa pele de vaca, uma vez que não possuíam meios para pagar o avultado preço da imortalidade.
enviada por Roden Conall
30/03/2004 13:31
Música nos Templos de Ísis - Parte II/II
Outro registro de uma procissão em Alexandria menciona os músicos tocando liras, cítaras e tambores. Cantar perante a congregação reunida também era, aparentemente, hábito comum, pelo menos nos templos greco-romanos.
Sistros e címbalos usados nas mãos foram encontrados em vários locais de templos. Vemos oloi (um conjunto de flautas tocadas ao mesmo tempo) frequentemente em pinturas e relevos. Existem muitas menções a gaitas. Harpas eram comuns nos templos egípcios e também eram usadas em santuários greco-romanos. A harpa africana, ou lira núbia, também era tocada nos ritos de Ísis. Címbalos para os dedos e sinos em pares nos templos também foram encontrados nos santuários.
Anotações musicais de qualquer forma eram raras nos tempos antigos, portanto os registros históricos da música nos templos de Ísis estão perdidos atualmente. Algumas canções persistiram por milhares de anos, principalmente aquelas que seguem modismos menos comuns. Colocar novas letras em velhas melodias é uma prática antiga. Os acadianos criaram novas letras para a música suméria em 2800 a.C. Alguns estudiosos de música acreditam que a canção de natal The Holly and de Ivy (O azevim e a Hera) é uma versão de uma melodia do império romano. Assim como os lugares sagrados, a música sobrevive e transcede as religiões.
**Textos extraídos do livro Os Mistérios de Ísis, de DeTraci Regula.
enviada por Roden Conall
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